Texto de Afonso Capelas Jr.
Leveza e durabilidade. Flanam ao vento em direção às bocas de lobo, aos córregos e rios, aos oceanos. E são suficientemente duradouras a ponto de permanecerem por dezenas, quem sabe centenas de anos emporcalhando o meio ambiente. Agora, o , de São Paulo, tomou a iniciativa de responder definitivamente a pergunta que não quer calar: afinal, quanto tempo resiste o material de que é feita uma sacola descartável?
Por meio do seu Laboratório de Embalagem e Acondicionamento (LEA), o instituto iniciou – em outubro do ano passado – um experimento que, em breve, vai demonstrar se são meses, anos, décadas ou até séculos o tempo necessário para que quatro tipos de sacolas desapareçam definitivamente do planeta: de plástico comum, de plástico oxibiodegradável, de papel e de plástico retornável feita de tecido não tecido (TNT). É o primeiro estudo desse tipo feito no Brasil.
Informações sobre a etapa de vida de determinados produtos e seus impactos ambientais em condições brasileiras praticamente não existem no país. Segundo o próprio IPT, em geral, os dados que temos são provenientes da Europa e podem levar a conclusões equivocadas.
O teste do IPT simula a situação de abandono das sacolas nas ruas das cidades, destino mais comum de boa parte desse material. O teste funciona assim: 40 sacolas foram colocadas na cobertura de um prédio do próprio instituto, em grupos de 10 sacolas dos quatro tipos diferentes de materiais. Vão ficar lá durante12 meses à mercê das condições climáticas das quatro estações do ano.
Depois, serão levadas aos laboratórios para testes de resistência mecânica, perda de massa e de cor. Dessa forma, será possível traçar uma comparação direta entre os materiais, porque as sacolas ficam expostas simultaneamente às mesmas condições de temperatura, umidade do ar, chuva, sol e ventos. A tendência é as sacolas se esfarelarem com o tempo.
Com os resultados, a discussão sobre os impactos ambientais das sacolas vão transcorrer com mais propriedade, acreditam os técnicos do IPT. Para a pesquisadora Mara Lúcia Dantas, uma das questões que será respondida diz respeito à eficiência do chamado plástico oxibiodegradável. “Não há consenso sobre a vantagem da adição dessa substância ao plástico”, alerta. E crê que o trabalho vai contribuir para a educação da sociedade, com a conscientização sobre o real impacto do descarte das sacolinhas no meio ambiente.
Os resultados desse interessante estudo do IPT devem ser divulgados no final do ano. Vamos ficar de olho.
Imagem - Adrian S. Pye/Creative Commons
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