sexta-feira, 25 de maio de 2012

Brasil foi o que mais cresceu, em energia eólica, em 2011

Imagem: ANBA

O Brasil apresentou a maior taxa de crescimento na produção de energia eólica em 2011 – 63% – de acordo com dados do GWEC (Conselho Global de Energia Eólica), publicados em fevereiro deste ano de 2012. Com este registro, o Brasil entra no top 20 dos maiores produtores de energia eólica do mundo, uma lista que continua a ser liderada pela China, com um total de 62 mil MW em parques eólicos – e um crescimento de 47% em 2011.

De acordo com a GWEC, a produção de energia eólica continua a subir globalmente a um bom ritmo, apesar da crise econômica. A grande diferença é que o crescimento, antes puxado pela França, é agora conduzido sobretudo pelos países emergentes da Ásia e América Latina. Portugal continua no top 10: é o décimo maior produtor de energia eólica, com 4.083 MW e 1,7% de quota de mercado global. O Brasil subiu dos 927 MW para os 1.509 MW em 2011, praticamente metade da energia eólica instalada da América Latina.

Segundo o estudo, o sector da energia eólica instalou 41 mil MW de energia limpa e confiável em 2011, elevando a capacidade total instalada globalmente para os 238 mil MW – um aumento de 21%. A energia eólica representa 6% do mercado global de energia, sendo que há hoje 80 países com instalações de eólicas – e 22% destes já passaram dos 1 GW.

“Apesar do estado atual da economia global, a energia eólica continua a ser a tecnologia de geração de energia renovável mais escolhida”, explicou Steve Sawyer, secretário geral da GWEC. “2011 foi um ano difícil, e 2012 não será diferente, mas as bases do setor permanecerão sólidas em longo prazo. Há dois anos seguidos que a maioria das novas instalações estão sendo feitas fora do OCDE – e os novos mercados na América Latina, África e Ásia estão a impulsionar o crescimento do setor.”

Além de China e Brasil, a Índia também é destaque. No BRIC, as instalações de 2011 elevaram a capacidade total do país para um pouco mais de 16 mil MW. “A Índia alcançou outro marco acrescentando mais de 3 mil MW de energia eólica instalados em 2011. Este número possivelmente chegará a 5 mil MW por ano até 2015”, disse Sawyer.

No Brasil, este crescimento deve-se, principalmente, ao Proinfa, programa federal de incentivo às fontes renováveis de energia, que se iniciou em 2004 e finalmente cumpriu sua meta de instalação de parques eólicos. No entanto, o grande boom de eólica ainda está por vir; entre 2009 e 2011, o custo da geração eólica no Brasil caiu vertiginosamente – hoje é o mais baixo no mundo – e leilões contrataram mais de 7 mil MW da fonte, o que deve posicionar o país entre os dez maiores geradores até 2015.

VEJA O RANKING (TOP 10)
China: 62 MW – 26,3%
Estados Unidos: 46 MW – 18,7%
Alemanha: 29 MW – 12,2%
Espanha: 21 MW – 9,1%
Índia: 16 MW – 6,7%
França: 6,8 MW – 2,9%
Itália: 6,7 MW – 2,8%
Reino Unido: 6,5 – 2,7%
Canadá: 5,2 MW – 2,2%
Portugal: 4 MW – 1,7%
Resto do Mundo: 32 MW – 13,6%
Fonte: Green Savers / Portugal



Segredos da primeira folha artificial prática

Segredos da primeira folha artificial prática
Ela não é verde, mas é a primeira folha artificial a imitar a fotossíntese de forma simples e barata, embora ainda tenha uma eficiência baixa. [Imagem: Daniel Nocera/ACS]
Fotossíntese artificial
Há cerca de um ano, a equipe do professor Daniel Nocera, do MIT, anunciou os primeiros resultados daquilo que ele chamou de uma folha artificial prática.
Agora, depois de o trabalho ter sido revisado por outros cientistas, finalmente foi publicada a descrição detalhada do dispositivo.
A ideia das folhas artificiais é imitar o processo da fotossíntese, gerando energia, ou combustível, diretamente a partir da luz do Sol - uma ideia que foi defendida pela primeira vez em 1912, pelo químico italiano Giacomo Ciamician.
Atingindo-se um rendimento mínimo, isto representaria uma revolução na matriz energética mundial.
Existem várias pesquisas na área, com várias abordagens diferentes, mas todas em um estágio ainda bastante inicial de desenvolvimento.
Quebra da água em hidrogênio e oxigênio
A grande vantagem do dispositivo agora divulgado é que, ao contrário dos anteriores, ele se baseia em técnicas de baixo custo para a sua fabricação e dispensou a platina, um dos elementos mais caros usados nas folhas artificiais.
No processo de imitar a fotossíntese, o passo mais importante é a etapa que divide a água em hidrogênio e oxigênio.
A folha artificial possui um coletor solar ensanduichado entre duas películas, que geram a reação necessário para liberar o oxigênio e o hidrogênio.
Quando mergulhado em um frasco com água, à luz do sol, o dispositivo começa a borbulhar, liberando os dois gases: o hidrogênio pode então ser usado em células a combustível para gerar eletricidade.
Um gerador assim integrado, consistindo em uma peça única, é um conceito atraente porque pode ser facilmente deslocado para gerar energia em lugares remotos, eventualmente entrando no mercado em nichos como recarregadores de baterias ou em substituição aos painéis solares.
Segredos da primeira folha artificial prática
O silício da célula solar precisa ser protegido da água, e isto é feito, entre outras complicações, usando ITO, o óxido de índio dopado com estanho, o mesmo condutor transparente usado nas telas sensíveis ao toque. [Imagem: Daniel Nocera/ACS]
Dispensando a platina
Até agora, porém, todos os protótipos acenam com custos proibitivos, porque dependem de catalisadores de metais nobres, como a platina, e processos de fabricação ainda não desenvolvidos para escala industrial.
A equipe do professor Nocera encontrou uma forma de substituir a platina por um composto de níquel, molibdênio e zinco (NiMoZn), que é bem mais barato.
No outro lado da folha, para gerar o oxigênio, é usada uma película de cobalto.
Na folha artificial, a membrana fotossintética é substituída por uma junção de silício, uma célula solar, que captura a luz e gera a corrente elétrica na forma de pares elétrons-lacunas.
Na fotossíntese artificial, a enzima básica do complexo de quebra da molécula da água é substituída pelos catalisadores de cobalto e NiMoZn.
Prática, mas ainda não viável
Mas ainda há desafios a vencer antes que a "folha artificial prática" do professor Nocera seja viável.
O silício da célula solar precisa ser protegido da água, e isto é feito, entre outras complicações, usando ITO, o óxido de índio dopado com estanho, o mesmo condutor transparente usado nas telas sensíveis ao toque.
E o ITO não é um material barato e nem largamente disponível.
O segundo degrau a ser vencido é o rendimento: do protótipo tem uma eficiência de 6,2%, o que é muito menos do que as células solares oferecem.
Assim, por enquanto, seria mais prático usar as células solares para produzir eletricidade - a um rendimento médio de 20% - e usar essa eletricidade para fazer a eletrólise da água, liberando igualmente o oxigênio e o hidrogênio.
Mas nenhuma tecnologia nasceu pronta e super eficiente, o que justifica a crença de alguns cientistas de que o futuro energético do planeta está nas folhas artificiais.

Fonte: Inovação Tecnológica - Maio 2012

Casa do futuro une sustentabilidade e eficiência energética

Com informações e imagem da Agência USP - 04/05/2012

Pesquisadores de diversas universidades brasileiras criaram o protótipo de uma casa do futuro, batizada de Ekó House, que está sendo montada na USP.
Trata-se de uma casa eficiente, sustentável e inovadora, que funciona exclusivamente com energia solar, tanto térmica quanto fotovoltaica.
"A casa tem aproximadamente 47 metros quadrados. Ela conta com cozinha, sala de jantar, sala de estar, banheiro e quarto. O ambiente é projetado para dar flexibilidade de uso.
"Com persianas e móveis o ambiente é alterado, aumentando a área social ou a área íntima," explicou Bruna Mayer de Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e uma das integrantes da iniciativa.

Residências Energia Zero
O projeto da Ekó House está em desenvolvimento desde o final de 2010.
O protótipo combina elementos de alta tecnologia com soluções tradicionais de arquitetura e engenharia.
No aspecto de pesquisa, diversos itens do projeto e da construção da Ekó House embasam pelo menos uma dezena de trabalhos acadêmicos que resultarão em teses, dissertações e artigos científicos.
Além disso, o desenvolvimento do protótipo está inserido em um convênio entre USP e Eletrobrás, que tem como objetivo principal o lançamento das bases de uma indústria nacional de Residências Energia Zero (REZ) com tecnologia brasileira e adequação às nossas diversas regiões bioclimáticas.
"O projeto busca desenvolver pesquisa sobre Residências de Energia Zero (REZ) para o nosso clima e sociedade. Buscamos tecnologias que levem a um menor impacto ambiental das residências brasileiras," explica a pesquisadora.

Solar Decathlon
O projeto é a proposta brasileira que está concorrendo ao Solar Decathlon Europe 2012, uma competição internacional onde 20 equipes, representando universidades de todo o mundo, projetam, constroem e colocam em funcionamento uma casa sustentável e com eficiência energética.
O Solar Decathlon é dividido em dez categorias, que avaliam as inovações da casa, como sua capacidade de geração e eficiência energética, conforto, qualidade espacial e construtiva, entre outras.
As casas são construídas e testadas localmente e transportadas para o local da competição em Madrid, na Espanha, onde devem ser montadas em dez dias. Lá permanecem em exposição lado a lado por 17 dias, quando estão abertas à visitação do público e são realizadas as provas.
"A casa será levada para Madrid parcialmente desmontada, em contêineres. A estrutura é feita de peças de cumaru e placas de OSB (oriented stranded board) que formam painéis. Esses painéis são preenchidos com lã de vidro para isolamento térmico.
"Como revestimento, são usadas placas cimentícias e, entre os painéis e as placas, também é utilizado revestimento térmico de alto desempenho. Os painéis já irão prontos para Madri, com todas as suas camadas instaladas, inclusive com canos e fios, para lá serem apenas encaixados", explica Bruna.